De volta para o futuro: Marty McFly e outros viajantes do tempo

Há mais de trinta anos, eu embarcava na minha primeira viagem no tempo. Claro que eu tinha visto outras viagens desse tipo na adorada série de TV da minha infância, “O túnel do tempo”, e também em filmes, como o primeiro “O exterminador do futuro” e a produção cult de 1960 “A máquina do tempo”. Agora, embarcar mesmo, para valer, de mala, cuia e muita imaginação, só aconteceu em 1985.

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Na época, eu era adolescente e já apaixonada por filmes. Lembro que saí do cinema me sentindo igual ao personagem Marty McFly: ele acabava de vir de uma fascinante viagem a 1955, onde conheceu seus pais ainda jovens, arrumou muita confusão, apresentou-se numa banda tocando guitarra, resolveu os problemas para melhor e, com a ajuda de um cientista exagerado, conseguiu sobreviver ao engenhoso clímax principal do filme para regressar ao seu momento presente, em 1985. Diga-se de passagem, um clímax que para mim ainda é uma obra-prima.

O filme em questão é o clássico “De volta para o futuro”, que no ano passado comemorou exatas três décadas de seu lançamento. Houve duas sequências, uma com o Marty avançando trinta anos em seu futuro (vindo para 2015, oras!) e outra retrocedendo para os tempos do Velho Oeste americano.

Voltemos a 1985 e a mim, ainda adolescente, atando e desatando nós na cabeça com essa história de viagens no tempo. Mas não qualquer uma e sim aquela que rende desdobramentos fascinantes numa trama, enriquece narrativas e, mais legal ainda, faz com que o leitor se sinta embarcando com os personagens, do mesmo jeito que me senti após assistir a “De volta para o futuro”.

É óbvio que, como consequência, haveria viagens no tempo nos meus livros. E elas estão lá, na série “A caverna de cristais”, em livros e contos que a Rocco Jovens Leitores está lançando na versão e-book.

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Aliás, colocar personagens deslocando-se no tempo e no espaço é aquele tipo de recurso tudo-de-bom para um autor de Literatura Fantástica. Que o diga a nossa querida J. K. Rowling: ela o utiliza para que Harry, Rony e Hermione possam salvar da morte dois personagens em “Harry Potter e o prisioneiro de Azkaban”.

Se Rowling prefere o caminho da magia, há autores que gostam de misturá-la com ciência. Michael Reaves e o aclamado Neil Gaiman, em “Entremundos”, fazem meio que uma volta no tempo ao colocar o desastrado personagem Joey transitando entre inúmeras realidades e, para complicar, encontrando versões diferentes dele mesmo.

Em “Uma dobra no tempo”, primeiro livro da série “Viajantes no Tempo”, Madeleine L’Engle leva três crianças a tesserarem, ou seja, a viajarem pelo espaço usando a quinta dimensão. Literalmente elas pegam atalhos, provando que nem sempre uma linha reta é a distância mais curta entre dois pontos (e ainda prevendo um tésser no tempo, retornando para casa cinco minutos antes da partida!). A aventura continua em dois livros, “Um vento na porta” e “Um planeta em seu giro veloz”.

E como falamos em viagens no tempo, não podemos deixar de fora o maior especialista no assunto: Doctor Who. Transportando-se por aí em sua Tardis, ele usa e abusa de explicações científicas para justificar suas idas e vindas a mundos novos e antigos, alternando passado, presente e futuro.

Em “Doctor Who: 12 doutores, 12 histórias”, cada um dos doze autores dá vida a um dos doze Doctors oficiais. Quem conta a minha história preferida é Holly Black, em “Luzes Apagadas”, com o décimo segundo Doctor desvendando uma série de assassinatos.

Curiosamente não é uma aventura sobre viagens no tempo nem com o meu Doctor preferido, que é o décimo primeiro e aparece em “Hora Nenhuma”, outro conto do livro. Seu autor, Neil Gaiman, cria o vilão Kin e surta ao imaginar mais locomoções no tempo e no espaço do que qualquer um é capaz de calcular. Menos o Doctor, lógico.

Esses são apenas alguns exemplos. De 1985 para cá, foram 31 anos em que, na ficção, muitas vezes viajei no tempo, principalmente ao passado. Talvez por que eu seja fascinada por História e histórias.

Ou talvez por que, no fundo, todos nós sonhamos com a possibilidade de mudar escolhas que não deram certo. Ter a ilusão de que, se entrássemos numa máquina do tempo, ganharíamos o poder de recuperar o que perdemos em algum momento das nossas vidas.

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